Campos de Carvalho — em todas as narrativas que escreveu — demonstra notável domínio de linguagem, riqueza de vocabulário, precisão semântica, agilidade das frases sempre bem construídas e sábia alternância entre períodos longos e breves. Tudo isso, exerce fascínio sobre o leitor atento. Nada na escrita de Carvalho fica por conta do acaso ou da improvisação irresponsável. A linguagem de que ele se serve é de fazer inveja a qualquer clássico da língua. Tal linguagem conduz enredos pouco convencionais. A lua vem da Ásia , por exemplo, apresenta um personagem — “Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo” — em um local que pode ser hotel, campo de concentração ou hospício. Aparentemente, a loucura mostra-se o tema central da narrativa. Mas isso seria apenas uma metáfora, despiste de escritor genial. ‘Loucura’ é a mediocridade da nossa vida cotidiana — aí, sim, impera a lei do absurdo. Há muito mais lou...
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