(Fragmentos) Uma figura singular e multifacetada na literatura brasileira do século XX. São as características de Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982) que abrange romances históricos, contos, crônicas, literatura infantojuvenil e até ficção científica. Pela versatilidade, consolidou-a como uma das escritoras mais lidas de seu tempo, sendo a segunda mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1980. Uma análise crítica moderna destaca o protagonismo feminino e identidade em sua obra. Em "Margarida La Rocque: a ilha dos demônios" (1949) , por exemplo, a protagonista é analisada como uma mulher em busca de novos caminhos e autonomia em um ambiente hostil. Suas personagens não são apenas decorativas, mas ativas e complexas. A partir disso, propõe-se uma leitura pela perspectiva da teoria e da crítica feminista e, visando mostrar como se dá a construção da identidade dessa personagem em desacordo com os estereótipos da mulher na literatura, foi utilizado ig...
Campos de Carvalho — em todas as narrativas que escreveu — demonstra notável domínio de linguagem, riqueza de vocabulário, precisão semântica, agilidade das frases sempre bem construídas e sábia alternância entre períodos longos e breves. Tudo isso, exerce fascínio sobre o leitor atento. Nada na escrita de Carvalho fica por conta do acaso ou da improvisação irresponsável. A linguagem de que ele se serve é de fazer inveja a qualquer clássico da língua. Tal linguagem conduz enredos pouco convencionais. A lua vem da Ásia , por exemplo, apresenta um personagem — “Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo” — em um local que pode ser hotel, campo de concentração ou hospício. Aparentemente, a loucura mostra-se o tema central da narrativa. Mas isso seria apenas uma metáfora, despiste de escritor genial. ‘Loucura’ é a mediocridade da nossa vida cotidiana — aí, sim, impera a lei do absurdo. Há muito mais lou...