A partir do século XIX, com origem no folhetim, a crônica firmou espaço nos periódicos nacionais. Desenvolveu-se como gênero jornalístico de viés literário, apreciado pelo público leitor. E por sua narrativa leve ou densa, consolidou sua importância. Mesmo sendo considerada pela imprensa matéria relevante, a crônica conquistou lugar no percurso aberto por escritores que, ao lado de obra significativa em outros gêneros literários, consagraram-se também como cronistas. Marcos Rey, romancista, contista, roteirista de cinema e televisão, ocupa lugar de destaque nessa área das letras. Seu nome pontua e sublinha a história da crônica. Para a coletânea Melhores Crônicas * foram selecionadas cem crônicas, do período de 1992 a 1999, publicadas numa famosa revista de alcance nacional, pois mantinham leitores fiéis. Nota-se que os organizadores procuraram salientar a diversidade temática, a criatividade, a narrativa bem estruturada e também a linguagem coloquial, característica do escritor....
Ele profetiza que estamos sob a era de aquário, num ano bissexto, quando se comemora o aniversário de um personagem enigmático, mais parece um guru da Índia, moreno jambo com um bigode ralo de chef francês. Um sujeito meio esquisito, que gosta de turbinar rural Willys e Caravan. Fã de carteirinha dos filmes de extraterrestres e depoimentos de quem passou as fronteiras do além, por sua semelhante cabeça achatada e suas orelhas grandes de abano ou “ventana” (janelas abertas) como diz o seu colega de serviço chamado Argentino. Cizênio, nome que lembra as aulas de química, tem um sonho na vida: um telescópio na mão para observar as constelações do 24º andar de um megaedifício, no centro das duas principais avenidas de Brasília, no Distrito Federal. Bem próximo de sua associação protetora dos seres abduzidos, que ficará no térreo do edifício. Pelo que declara nosso personagem místico e esotérico: “- A altitude da área entre Brasília e Goiás proporciona um fluido energético leve, b...