O Erotismo na Arte 1 de Pablo Picasso Quando afundo o pensamento, para deleitar uma fonte como pássaro rasante, múltiplo céu com nuvens. deixo um néctar dentro encharcado, goma láctea na terra fendida. II Pelo sopro espraiado, o orvalho se espalha no prado, no meio do húmus revirado. III Teu lábio contra o cristal gole a gole ali esposa a lembrança, como em folia uma flâmula vermelha ondula na plenitude, rósea vagem não sobra o mínimo vapor da inquietude, ápice efêmero escorrendo pelo vão da boca rega minha imaginação. Para além do tédio do inverno, riso aberto, o que resta reluz do vitral. IV Delícia pura a garoa cai na boca o vento ondula sabor de fruta madura. V Não quero a prosa que diz besteiras, nem esperma de trova. Apenas ver a beleza da gosma, uma poesia porosa.
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