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Pelo Campo Adentro

Ilustração de Rubens Shirassu Júnior Os pássaros voavam em linha no céu, muito longe, voavam para o oeste, agora guinaram como se estivessem procurando uma abertura, uma passagem no horizonte, o mar azul aberto em algum lugar.              Suava embaixo do chapéu de palha, e o sol batia à medida que rodava, virando e virando na subida da estrada íngreme e sulcada. Girando e girando num círculo cada vez mais amplo. - pensa. Havia um silêncio de séculos naquele lugar longínquo. Uma atmosfera de sono e sonho. Nada se mexia. Talvez, um longo tempo tinha se passado. Perdera a noção de espaço e de tempo. Em algum lugar, ao longe, um trem silvou, o grito solitário dos trens. Foi como despertar para uma nova realidade, uma chamada para o mundo paralelo, para a vida que abandona e inicia uma outra jornada em terreno desconhecido. E um trem viajando em seus sonhos para sempre, sain...

Os Casos na Varanda

O povo navegava naquele mundo único, simples e claro povoado de lendas, mitos, sonhos e temores             Na minha infância gostava de ficar ouvindo conversas de gente grande. Bom era quando tinha visita, dos parentes, de amigos e colegas de trabalho de papai, para passar algumas horas em nossa casa. Gente de fora sempre trazia alegria e curiosidade, quebrava a rotina familiar, de dormir cedo e espantar o silêncio letárgico dos dias, das noites mornas. A sala e a varanda da casa ganham vida, as luzes eram acesas e sempre saía um agrado, que também alcançava as crianças, um saco de balas Chita, Juquinha ou Sete Belo, um pão ou bolo caseiro macio e artesanal, preparado no forno à lenha, aquele que apresentava em seus ingredientes a banha e a farinha, apalpado com todo carinho, empenho e zelo pelas mãos de mamãe ou presenteado por alguma vizinha leal ou mesmo amigos moradores de sítio...

Exílio Voluntário

Nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, tão louco, bobo e bom             Era preciso que ficássemos imóveis, talvez, respirando com mais cuidado, até que levássemos as mãos e os corpos de encontro. Então, tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido, mais uma vez, os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda ansiedade, preocupação, stress, inquietação, medo, apesar da população mesquinha e frívola da cidade imensa, que transitava lá fora, nos veículos, dos quais nos chegavam o barulho distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes, o ruído de um carro estacionando em frente de casa. Todos os barulhos, por mais intensos que sejam, caem nas águas do silêncio e viram gotas brilhantes como contas de vidro, fundem-se com as cores das auroras.        ...

Palestra seduz o público

Anderson Braga Horta, poeta, ensaísta, tradutor e estudioso de poesia Marina Andrade musicou poemas de Augusto dos Anjos             Anderson Braga Horta surpreendeu a plateia na Quinta Literária com a palestra “O grotesco e o sublime em Augusto dos Anjos” , realizada em 13 de novembro último, falando sobre a poesia de Augusto dos Anjos, no centenário da morte do grande poeta paraibano. Entre os inúmeros amigos, familiares e membros da Associação Nacional dos Escritores (ANE), também compareceu o médico, escritor e diplomata Drago Stambuk, Embaixador da Croácia no Brasil. Após o evento, aconteceu o coquetel e, na oportunidade, a cantora Marina Andrade apresentou poemas de Augusto dos Anjos musicados por ela. O Palestrante             Filho dos poetas Anderson de Araújo Horta e Maria Braga Horta, Anderson...

Acontecimento raro

(Da direita para a esquerda) Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga, novela escrita a quatro mãos             O jornal Opção, de Goiânia, em sua edição 2054, item “Opção Cultural – Livro, publicou em 16 de novembro de 2014, domingo, a crítica literária Na Moenda da Cidade Grande , de Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). O texto analisa o livro Moenda de Silêncios: Encontros & Desencantos na Metrópole (São Paulo, Dobra Editorial, 2012) de Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga, uma das poucas novelas de formação no Brasil e, ainda mais, escrita a quatro mãos “é um acontecimento raro não só na literatura de expressão portuguesa como na mundial” – escreve Gonçalves.             “Para o poeta, ficcionista e crítico literário Rubens Shirassu Júnior , autor do texto das “orelhas” do livro, esta novela sign...

Poema para Manoel de Barros

Imagem do documentário Só 10% É Mentira de Pedro Cezar             Escrevi um poema para Manoel de Barros em 10 de julho de 2014. Os amigos, simpatizantes e colegas podem encontrá-lo hoje, sábado, 15 de novembro, na Página Inicial do portal Blocos Online (de Leila Míccolis e Urhacy Faustino) item Literatura - Poesia - Registro: Três homenagens a Manoel de Barros: Clevane Pessoa, Edilberto Djuba Pires e Rubens Shirassu Júnior.             Clique e acesse o link direto da página logo abaixo: http://www.blocosonline.com.br/home/index.php

A Cafonice dos Anos 80

            Ah, os anos 80... Em meio às tensões do esgotamento autoritário e a transição para um Estado democrático e a mobilização da sociedade civil, temos o surgimento de produções artísticas discutíveis, mas que dão um sabor especial com imagens errantes, pluralidade de linguagens e procedimentos. Uma época de exageros, de extravagâncias, mas sem medo de ser feliz! Participantes: Arte - Jaqueline Vasconcelos Cenário - Celso Aguiar Teatro Performance – Angela Afonso Música – Cida Ajala, Gabriel Abbade e Banda Provisória Escritores: Camila Mancini, Carlos Francisco Freixo, Célia Guímaro, Célia Marli Raimundo, Cida Correia, Cida Girotto, Diego Villas Boas, Leonícia Mussa, Neucélia Félix, Paula Hanke, Rubens Shirassu Júnior, Sinésio de Sousa, Suley Mara e Vânia Méscua de Mattos. Entrada: Alimento não perecível a ser doado ao Hospital Psiquiátrico Bezerra de...