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Literatura como possessão

A minha genealogia literária apresenta raízes e inclui influências muito díspares na literatura prudentina e região oeste do Estado, formando uma mistura fina que é única por erudição, mas também por transgressão. Começa com o “Poema Sujo” e os ensaios sobre cultura e artes plásticas de Ferreira Gullar. Ainda no final da década de 70, aprofundei-me nos estudos da geleia cultural e filosófica de Jorge Mautner e a contracultura de Luís Carlos Maciel. Esse contato com a reflexão existencialista permanece ao mergulhar na prosa de Clarice Lispector, foi como um imprinting poético-filosófico: marcou para sempre minha visão de mundo, de política e da poesia. Ao conhecer os poetas metafísicos ingleses, sobretudo William Blake , comecei a aprofundar minha experiência mais direta com o sagrado e a vida interior. O contato com a obra de Nietzsche , um profeta pessimista e decifrador da alma moderna, temperou o espírito e o intelecto de contundências. Mas a fome voraz de novidade...

Muito desejo no caos

Tanta gente escreve, na verdade, para não ficar louca ou, simplesmente, como forma de ser amada. Basta lembrar, para tanto, a contundente análise feita por Antonin Artaud sobre o assassinato implícito no gesto suicida socialmente imposto a Van Gogh – situação essa, aliás, vivida pelo próprio Artaud, que durante boa parte de sua vida viveu confinado em hospícios e definhou de câncer depois de, já consagrado, ver a sua peça radiofônica “Para Acabar com o Juízo de Deus” impedida de difusão por um censor que a considerou ofensiva demais para os ouvidos franceses. O drama de Artaud , repetição do drama de Van Gogh , vem se repetindo no decorrer da História e, certamente, está ocorrendo hoje, agora, com não poucos criadores de poesia. No Brasil, recordemos de Arthur Bispo do Rosário, artista plástico, onde a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e arte neste país! E, no entanto, as pessoas continuam criando ...

Jornalismo de gabinete

Desde 7 de junho, última quinta-feira, o site Portal Prudentino publicou no item Opinião o artigo “Meios de Comunicação e Poder”, de Rubens Shirassu Júnior. No comentário do escritor e pedagogo de Presidente Prudente, São Paulo, entre as observações, se destaca: “As análises críticas de literatura, de artes visuais, de teatro, músicas, histórias em quadrinhos, etc., foram eliminadas do padrão editorial vigente que optaram por comentários sintetizados e meramente superficiais, atendendo aos modismos passageiros, pois grande parte dos meios de comunicação fazem assinatura de conteúdo, diversificados das tradicionais empresas jornalísticas dos grandes centros, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses fenômenos constituem um quadro propício a um ineficiente jornalismo de gabinete”. Você pode ler o texto completo clicando no link do portal abaixo:   http://www.portalprudentino.com.br/noticia/noticias.php?id=49712&titulo=meios-de-comunica%E7%E3o-e-poder...

Resgate na contracorrente

Mergulho   Por que as pessoas escrevem? Essa pergunta eu me faço com demasiada frequência, sempre que procuro, para meu próprio gasto, encontrar motivo um pouquinho além das mistificações que a nossa míope sociedade de consumo veicula. Creio que muita gente compartilha comigo dessa sensação inesperada de vazio. Acho que quem mais sofre isso, num país como o Brasil, são as pessoas ligadas à criação artística , simplesmente porque elas vivem mais agudamente as contradições entre a realidade e aquilo que fazem. É claro que não me esqueço nunca de que meu ofício literário é antes de tudo o assunto de responsabilidade minha. Mas, às vezes, a realidade é tão dura que a insistência dessas perguntas acaba tornando-a insuportável. Quando a gente sai nas ruas de uma grande cidade como São Paulo e depara com famílias inteiras acampadas debaixo de um viaduto, a dor que dá é uma dor de jogar tudo longe: diante da miséria sem retoque, um gesto de puro mergulho no subjetivo, ...