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Temporal II





La Victoria de René Magritte










Jogo os meus olhos no clarão do céu
Jogo os meus longos cabelos magnéticos
na flor violeta-chumbo em ebulição.
Quero ser só matéria em dispersão,
um sopro dos elementos em fúria.
O vento cospe um poema
em forma de temporal
me reflito no azulejo,
topo de miragens augustas,
reflexo da eternidade,
amálgama do ar, da água e
do fogo em corrente.
O dedo indicador direito erguido
na amplidão desenha os quatro pontos cardeais
após o traçado, traz a porta do horizonte
em direção ao centro
do coração pulsante,
visões do esplendor.
As nuvens flexionam as espáduas
saltando as veias como raízes
do meu corpo com os pés fincados na terra
de braços abertos no ar.



Pelo descampado respiro
o som de contas de vidro
trincam as veias formando um mapa
do tempo nublado.
Como um Ente nervoso,
desencapa, deságua e eletrifica
em forma de tempestade.
Enquanto meu espírito passeia
longe de mim,
sentidos no infinito, desprende
no fugaz instante
gravura rubra e cinza enlouquecida
as nuvens e a vida se perdem
como um corcel dando coices.








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