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Sinal XLVII


Ilustração de Boris Vallejo







Lentes d´água se encaixam no rosto crispado

que o vento varou de açoites

e onde a noite se abriu.

Amarras de luz drapejando na retina,

mãos em concha sobre a vista ofuscada,

os olhos golpeados pela velhice,

sem jeito, não pode ter a pesca e o rio.

O que passa na passagem,

nem é o passo, e sim o corpo

possuído pelo tempo e pelo espaço,

sem temer a travessia, faça sem ponte.

Vista ao pássaro que vive vendo lagarto

de asas rasgando o ar, o verde-azulado

da estrela cadente, afundando

no longe das ondas,

e deita nua debaixo do lençol

do mar, navega imersa no monte

de espuma dentro da rede,

em tufos, de flocos macios.

No voo, o dragão, como os pássaros,

ignora o finito mas pousa,

pois é dele o infinito.











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