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Cizênio

 


Ele profetiza que estamos sob a era de aquário, num ano bissexto, quando se comemora o aniversário de um personagem enigmático, mais parece um guru da Índia, moreno jambo com um bigode ralo de chef francês. Um sujeito meio esquisito, que gosta de turbinar rural Willys e Caravan. Fã de carteirinha dos filmes de extraterrestres e depoimentos de quem passou as fronteiras do além, por sua semelhante cabeça achatada e suas orelhas grandes de abano ou “ventana” (janelas abertas) como diz o seu colega de serviço chamado Argentino. Cizênio, nome que lembra as aulas de química, tem um sonho na vida: um telescópio na mão para observar as constelações do 24º andar de um megaedifício, no centro das duas principais avenidas de Brasília, no Distrito Federal. Bem próximo de sua associação protetora dos seres abduzidos, que ficará no térreo do edifício. Pelo que declara nosso personagem místico e esotérico:

“- A altitude da área entre Brasília e Goiás proporciona um fluido energético leve, bom e salutar para o metabolismo do Homem!”

Conhecido e muito cobrado por sua distração, Cizênio conseguiu chegar a ser supervisor do pedágio. Famoso por sua marca original: ir a coquetéis de lançamento de edifícios ou nas inaugurações de pontes apenas para olhar a paisagem de cima para baixo. Tanto que o pessoal o apelidou de Cizênio, o “astronáutico”, o homem que navega acima do mar ou “aquele um que cabeceia os planetas!” Uma vez, perguntou para o colega de guichê ao preencher uma palavra cruzada: “- Como era mesmo o nome do nosso conhecido “rei do futebol”?”

Compensa o seu raciocínio de lesma encharcada de maracujá, e a baixa estatura, cozinhando para o grupo seleto de amigos, parentes e colegas de trabalho. O pessoal conta que no almoço de confraternização, um de seus convidados, vai pegar uma lata de cerveja e, ao abrir a porta, encontra no freezer da geladeira, a cafeteira elétrica, um frasco de shampoo e outro de condicionador de cabelos, entre manteiga, iogurte, presunto, mussarela e outras coisas.

Seu maior feito histórico, que ficou para o livro de recordes. Num ataque repentino de preocupação e pressa, com o horário de entrada, pegou o carro e foi direto ao pedágio para cumprir sua escala do dia. Quando chega em casa, abre o portão e guarda o carro na garagem. Ouve o celular tocar quatro vezes, na sala. Atende ao telefone e sua mulher implora aos gritos para buscá-la, na porta do shopping. Havia esquecido da mulher e a compra do mês no caixa do hipermercado.

 

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