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Só somente cego, só a mente cega...

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem” “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.” “Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para den...

Compromisso com o humano na essência

Escritor lança um olhar novo sobre o passado, que ilumina a esperança de uma vida mais humana Nascido em Presidente Prudente, São Paulo, Rubens Shirassu Júnior é jornalista, escritor, revisor, diagramador e ilustrador, tendo “herdado” o pendor para esses ofícios de seu pai, Rubens Shirassu, autor de radionovelas e produtor de “Cortina de Veludo”, programa radiofônico que mesclava crônicas e canções. É autor de “Oriente-se - Manual de Procedimentos no Japão” , escrito após dois anos de residência naquele país, uma das obras precursoras, no Brasil, na utilização do formato e-book para vendas on-line. Seu conto “O descobrimento de Augusto” foi selecionado para integrar a antologia “Conto Paulista”, publicada pelo SENAC em parceria com a Editora Escrita. Tendo trabalhado em vários veículos de comunicação, a riqueza oriunda de sua formação eclética e suas diversificadas experiências profissionais estão todo o tempo presentes em seu trabalho, de maneira expressa ou latente, revel...

Troféu "Benjamin Resende"

Uma homenagem para quem produz arte Carlos Freixo, Suley Mara e Rubens Shirassu Júnior Escritor (1º da dir. para esq.) divulga Presidente Prudente em outros Estados David Aquino, Benjamin Resende, agradecendo pela homenagem e pelo troféu, Carlos Freixo, da APE, (1º da dir. para esq.) No último sábado, ocorreu a homenagem a 19 personalidades que fazem cultura hoje em Presidente Prudente. Numa noite despojada, fugindo do formato do evento, o Sarau Solidário Raízes Prudentinas, título referente aos três livros de memórias publicados por Benjamin Resende, do Conselho Editorial do Oeste Notícias, teve momentos de extrema beleza, encanto, apuro técnico e harmonia, entre outros, os corais Vozes Prudentinas e Feminino Apampesp, a beleza na coreografia do bailarino Nélio de Paula, como também a contradição dos sons dodecafônicos, criativos e a harmonia complexa da música de John Coltrane, em brilhante improviso instrumental do grupo Soma, de jazz. Houve as belas pai...

Sarau homenageia quem produz cultura em Presidente Prudente

 Os contemplados receberão o troféu “Benjamin Resende” Visando homenagear aqueles que produzem cultura em Presidente Prudente, a Associação Prudentina de Escritores (APE), em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo, promove neste sábado (17.09), às 19h30, o Sarau Solidário Raízes Prudentinas , no Centro Cultural Matarazzo, na vila Marcondes. Os homenageados receberão o troféu “Benjamin Resende”, conforme a categoria: Arte: Leonardo Ferreira, José Botosso e Josué Napoleão, Artesanato: Manoel Clemente, Cidadã: Maria José da Silva Cunha,             Dança: Beth Libório, Nélio de Paula e Grupo Ruas de Fogo,             Fotografia: Paulo Miguel, Literatura: Jesus de Burarama (Renato de Jesus Sousa e Silva), Rubens Shirassu Júnior, artigos, crônicas e poesias, Odemir Alves, histórias infanto-juvenis, Rosana Tóffoli, Toshio Koketsu, hai-kai, Museu: Ronaldo Macedo, Música:...

O que foi feito do banheiro?

A Hygienica, de 1918, design em estilo vitoriano de Manoel Guimarães In memoriam de W.C.   Será que fabricar apartamentos e casas com banheiro separado está fora de moda e não vende? De uns tempos para cá, constroem-se apartamentos ou casas com quatro suítes. O mais interessante é que, antigamente, as famílias eram bem maiores, tinha-se mais filhos. E o modelo do banheiro era um só: comunitário, grande, todo branco, de chão vermelho, com janela para o quintal, com banheira grande e branca. O que será que está mudando nesta nossa moderna sociedade de consumo? O brasileiro, de dez anos para cá, vem defecando mais? Não digo as defecadas federais, nem as estaduais, nem as municipais. Estou me referindo à nossa defecadinha honesta de todo o dia, pessoal, íntima. Ou será que foram os arquitetos que perderam o senso do ridículo? O mais interessante é que, antigamente, as famílias eram bem maiores, tinha-se mais filhos. E banheiro, um só. Ladrilho vermelho encerado ou com vermelhão. ...

Que medo é esse, pirralho?

            Título: Que Medo é Esse, Pirralho?             ISBN:  9788562683046 Idioma: Português Encadernação: Brochura Formato: 19 x 23 35 páginas             Ano de Edição: 2011             Edição: 1ª.          Autor: Joilson Portocalvo          Ilustrador: J.Rafael             Preço: R$ 28,90 (sem frete) O escritor e contista Joilson Portocalvo, de Brasília, estará na sexta-feira, 16 de setembro, lançando o livro Que Medo é Esse, Pirralho? , às 17h30, no Colégio Dromos, sudoeste EQ SW 303/304 lote 3, Brasília, Distrito Federal. O evento é uma parceria da Editora do Centro com o apoio do Colégio Dromos, e contará com a part...

Cartografia do sonho prudentino

Aos 94 anos de Presidente Prudente  Te vejo no melindre da língua        da história que se bifurca neste vale        sem tréguas, erma nas léguas  dos migrantes lavradores iludidos pelo canto das sereias de néon da cidade: queriam vencer na vida, como fazendeiros do ar. A língua aqui valia a palavra dada sem papel escrito nem assinatura lavrada. Levou o povo que sonha o vale verde à vala comum. Os frutos colhidos ao tempo Os homens caiados no tempo Os sonhos caídos do tempo O pesadelo diante de poucos tostões, os horizontes ceifados pelas hélices selvagens da máquina do progresso, colhendo milhões de fardos, de café, algodão, amendoim empacotado de São João Fest, fabricado em série, fora do alcance daquelas mãos, para o alto vagam onde os vagões da vida descarrilham. Te vejo, homem da roça, suplicar uma providência,/ do divino, quem lembra? Prevalece, prefalece vale onde me fundo: alma e lama do mesmo barro...