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Espalhafato na Internet

Curiosamente, hoje, o veículo do dia é a internet para divulgar poesia e literatura. Nos portais, blogs e redes sociais encontram-se banners chamativos de livros e e-books bem projetados na vitrine da grande loja virtual com preços atraentes aliados às promoções e descontos tipo no fim e começo de mês, entre outras campanhas promocionais. Alguns livros mostram um trabalho gráfico sabido e diferenciado do que se vê no design industrializado das editoras comerciais. Poucos artigos de imprensa discutem o acontecimento da produção alternativa e independente do mercado. O assunto começa – ainda que com alguma resistência – a ser ventilado nos bares do eixo São Paulo, no sul do País, como Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis e, chega em Brasília. Trata-se de um movimento literário paralelo na internet ou de mais uma moda? E se for uma solução de divulgação, para romper o universo restrito e fechado das editoras? O fato é que a poesia circula, o número de poetas aum...

Manoel de Barros: O Encontro, a Carta e o Filme

Um dos maiores poetas do século                                                                              Raquel Naveira “Não seria capaz de reconhecer um rouxinol...  Será um pássaro roxo?  Terá na garganta um sol?                            Raquel Naveira Sabia com Trevas IX “O poema é antes de tudo um inutensílio.”                ...

Tempo Livre

Se o trabalho enobrece, como anuncia  a sua ética, por que desejamos sempre  mais tempo para nos divertir? Que Deus não tenha terminado a sua obra é perfeitamente compreensível. Afinal deu duro, sozinho, para entregá-la em apenas seis dias. Mas, e nós? Estamos trabalhando juntos há milênios e pelo que ouço dizer continuamos falhando nas tentativas de construir um mundo melhor. Aliás, só no século 20, por algumas passagens aliadas a fenômenos da natureza, a construção quase desabou. Falta muito, realmente, para entregarmos essa obra pronta. Agora, estou sabendo, talvez tenhamos que abandoná-la. E por um motivo que os deixará exultantes: o emprego vai acabar. Os sociólogos estão chegando – e com algum atraso – à mesma conclusão que os gregos antigos: nós não nascemos para trabalhar. E não nascemos mesmo. Eu vejo por mim: às segundas-feiras, precisamente na semana do Natal, sinto a maior dificuldade de sair da cama para o trabalho. ...

Achados Notáveis

Braga Horta, co-fundador da ANE de Brasília “A poesia de Rubens Shirassu Júnior é culta, referta de alusões e citações, mas livre de qualquer ranço de eruditismo; pelo contrário, ágil como um fluxo-de-consciência. E com “achados” notáveis como – só para exemplificar– “Meu coração é um cacto vermelho”  (“Radiografia do Homem Ordinário”), ouvir “a cantiga de Deus nos bilros das rendeiras” (“Procissão do Espírito”), “Delícia é poder sentir as coisas mais simples” (“De Cara”). Vê-se que não é sem boas razões que o poeta, autor do magnífico “Cobra de Vidro”, cultua Oswald de Andrade e Murilo Mendes.” Anderson Braga Horta Horta nasceu em Carangola, Minas Gerais, em 17 de novembro de 1934. Publicou vários livros de poesia, prosa, traduções e crítica literária. Reside em Brasília, Distrito Federal, desde 1960. Co-fundador da Associação Nacional dos Escritores (ANE), membro das Academias Brasiliense de Letras e Letras do Brasil. Ga...

No Olho do Ciclone, Estilhaços e Caos

Nascimento da Criança Geopolítica de Salvador Dali “Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas. Agora, é preciso encontrar a grande lei do coração, a lei que não seja uma lei, uma prisão,  mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto.”   ( Carta aos Reitores das Universidades Européias, de Antonin Artaud ) Beto Lima Era o ano de 1994. Aos 33 anos, Rubens Shirassu Júnior parte de Presidente Prudente, São Paulo, para confrontar com o universo mágico da cultura oriental, onde iniciou uma série de viagens, foi a sua palavra-chave, e pesquisou sobre a simbologia, os hábitos e tradições – assim, viajando com um sonho na bagagem do seu interior, de trem, em cada estação pela qual passou, curtindo a vida sem rumo, por todo o Japão, atrás de luas, lagos, antigas construções dentro da mata escura, descerrando as folhagens do Taoísmo, do Zen-budismo, das lendas, d...

Tarefas de guerreiro

Bacchus de Caravaggio Sempre sob inegável suspeita das mentes institucionalizadas, manipuladas e vazias, por seu ângulo de visão muito objetivo e seu caráter pouco alegórico, o dionisismo e o existencialismo se mantiveram, contudo, nas últimas décadas, como uma das forças mais influentes do pensamento contemporâneo. Há muitas razões para isso, desde a vigência espetacular que conheceu no pós-guerra até sua tendência presente à revitalização, em face da evidência do fracasso de formas do pensamento mais intelectualistas. A filosofia contemporânea chegou a uma complexidade verbal delirante e, na melhor das hipóteses insensata, cuja principal operação é a substituição sistemática do concreto pelo abstrato, do prático pelo teórico e da experiência direta pela elucubração mental. O pensamento jovem, enquanto corpo de plataforma, não está imune aos típicos vícios filosóficos de nossa cultura, no estágio atual de seu desenvolvimento, mas representa uma toma...

A morte de Raymundo Araújo

Fico sabendo sobre o falecimento de Raymundo Araújo Júnior, meu amigo virtual. Sua esposa Tita comunicou-me a trágica notícia por e-mail. Uma morte súbita, chegou, foi cochilar e, pouco depois, constatou-se a sua morte. Raymundo Araújo, tinha planos, era médico veterinário, queria mudar-se para o campo, aos arredores de cidade interiorana do Rio de Janeiro. Fiquei perplexo! Não tive palavras para enviar por e-mail, fiquei abatido temporariamente, o que dizer  para a esposa dele? Somente agora, me recompus, lembrando que o "amigo virtual", não raramente é mais amigo que o vizinho próximo, o parente, o pretenso amigo que raramente nos faz uma visita ou nos deixa uma palavra de carinho e encorajamento. Este distanciamento virtual soa falso, visto que nos correspondemos, trocando confidências, promessas, protestos, nossas paixões políticas, esportivas, cinematográficas, literárias e todo um arcabouço de familiaridades, que nem sempre contamos aos nossos "a...