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Que Fim Levaram as Tubas?

Não seriam as tubas antes sacos de risadas estrategicamente introduzidas na nossa cultura (há séculos) para zombar de nosso comportamento?             A tuba, um instrumento de sopro que exige um poder de fôlego de seu tocador que, num relance da memória, foi usada em músicas como Yellow Submarine, dos Beatles, Just Because, de John Lennon, Goodnight Lady, de Lou Reed, a peça The Grand Wazzo, de Frank Zappa, Parque Industrial, do disco Tropicália, em arranjo de Rogério Duprat e As Bandinhas, de Hermeto Paschoal entre outras. Com o avanço da tecnologia e os programas de mixagem digital, ela está um tanto em desuso e esquecida. E ninguém repara na tuba. Será por causa de seu formato bojudo e desengonçado? Ou porque ela lembra gente roliça, cheinha, gordo mesmo para ser mais claro! São ideias associativas que caem na nossa mente. Parece mais ou menos com sapatarias, marcenarias e borracha...

O Dia D

Night Café at Arles de Paul Gauguin (1888)                 Agora vou te contar, doutor, a noite de encontro fatal na boate. Era tonto feito peru novo, barba na cara, mas ainda de menor. Chegava lá, achava um poste e ficava no sereno, só vendo o movimento feito fiscal de feira, a mulherada naquele entra-e-sai, os caras chegando de táxi, e sempre uma cadela e um cachorro engatando ali na frente das boates. De fora, via as luzes roxas, verdes, lâmpada azul piscando, lâmpada vermelha, alguma dona saia com o copo na mão – naquele nervosismo que elas inventam – e zangava, ali, fora, procurando macho, esperando o touro dela, sei lá, depois entrava de novo, elas parecem que estão sempre esperando alguém.       Nessas horas, alguma falava com a gente. Uma pedia fogo, outra perguntava as horas, tinha as que vinham encostando, então ficava aquela conversa. Como é, bem? Tu...

Poema lido por Antônio Abujamra

Densidade e imagens surrealistas             Antônio Abujamra, grande diretor, ator de teatro e apresentador de TV há 13 anos, no programa “Provocações”, edição número 583, de terça-feira, 11 de setembro de 2013, da TV Cultura Canal 2, após a entrevista com a atriz Annita Ferrari, encerra o programa lendo o poema “O Reino do Interno”, de Rubens Shirassu Júnior, escritor, cronista, poeta e editor de livros de Presidente Prudente.           Este poema seco, de imagens fortes de dor e agonia, como a sensação de um soco no estômago, integra a coletânea “Cobra de Vidro”, seu primeiro livro de poemas, um projeto aprovado pelo ProAc 2011 (Programa de Ação Cultural) uma promoção do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura. O livro foi distribuído também no programa “São Paulo: Um Estado de Leitores”, que envia livros às novas bibliotecas do Estado. ...

Mais Água no Corpo

                Justin McLeod (Mel Gibson) em diálogo com Chuck Forstadt (Nick Stahl), no filme O Homem sem Face, diz que as mulheres são instáveis por conter mais água no corpo físico do que os homens. De certa forma, o raciocínio do personagem, com uma face machista, tem uma certa razão.             Ao comparar o grande volume de água dentro da mulher, refletindo na sua oscilação emocional, junto ao ciclo lunar, e suas influências no movimento das águas, pretende a reflexão apenas incitar a mulher a estar mais atenta à sua própria natureza, que simbolicamente se parece com o movimento das ondas do mar, ou pelo menos com as projeções que desde tempos remotos se fez sobre os mistérios do mar. Fingindo cada vez mais de sua vida instintiva, algumas mulheres correm o perigo duma alienação total, pior do que qualquer alienação social.  ...

Kamikazes de Verão

                                                Luz amarela                                        besouros saltam                                                como asas-delta. Rubens Shirassu Júnior                   ...

Cancioneiro Sadomasoquista

Sarcasmo feroz e a ironia ferina Sofrimento e dor nas letras de Noel Rosa e Ary Barroso CANCIONEIRO CARIOCA E BRASILEIRO Glauco Mattoso Soneto Coleção Dix Editorial - Série Mattosiana Áreas: Letras e Literatura Editora Annablume 212 Páginas 1ª Edição – Novembro de 2008 São Paulo - SP             No quinto volume da série "Mattosiana", Glauco Mattoso inclui quase quatrocentos sonetos dedicados à música popular brasileira, recapitulando gêneros populares e estilos individuais que fizeram história, desde o maxixe pré-radiofônico até o rock pós-tropicalista, num desfile paródico que vai do carnaval ao festival e do terreiro ao território. A polêmica de suas criações, em menos de quatro décadas, mereceu um número surpreendente de artigos, ensaios e citações em revistas e jornais dos Estados Unidos. Mas, ainda que muito estudado e reconhecido...

Um Homem Foge do Espelho

“Pelo gosto de caqui verde na boca, soube que a casa era o calabouço. Ele soltou o primeiro botão da camisa, a dor igual a um grão de sal na garganta. Colou com a baba os rótulos na mesa, os olhos vermelhos de tanto cortar.”             Era uma noite de verão quente e seca, como todo dia de semana, o movimento do bar é regular. Ulisses entra. Sentou-se à mesa do fundo, o velho trouxe a garrafa. Enquanto não acabasse o dinheiro (ficava tomando cerveja uma atrás da outra), o velho não deixava faltar cortesia. Ele trazia um talão de cheques no bolso e com os dedos colava os rótulos das garrafas na mesa.             Vislumbrava a paisagem noturna e dava um gole. Erguia numa careta o copo e espremendo os olhos engolia seco. Abrindo a vista, enxerga no relógio da parede as horas. Por trás do balcão, o velho apoiava o corpo em cima...