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Bibliografia de Pound no Brasil

Foto: Franz Larese, Erker-Galerie, Burano, Itália, 1971             O poeta Ezra Pound quem diria, por pouco não acabou ensinando chinês no Brasil. Em dezembro de 1957, meses antes de se ver livre do confinamento no Hospital St. Elizabeth, em carta destinada ao grupo da revista Noigrandes , o poeta se dizia disposto a vir para São Paulo, caso fosse acolhido no primeiro país a propiciar uma edição oficial de suas obras (trata-se de uma seleção dos Cantos, Cantares , traduzida pelos irmãos Campos e Décio Pignatari, editada pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura (MEC). A ideia não prosperou e Pound voltou para a Itália, onde Murilo Mendes foi encontrá-lo em Roma, aos 76 anos em 1961, como “sua própria ruína sobrevivente”. O tom melancólico do encontro, em que o poeta brasileiro anotou a impressionante semelhança física de Pound com a imagem que se faz do Quixote, e o autor dos Ca...

Mundo fragmentário, ilógico e caótico

Ezra Pound personificou o modernismo anglo-americano, fundando o imagismo e o vorticismo             Uma sucessão de erupções polêmicas e criativas é a síntese da vida do poeta norte-americano Ezra Pound. Ele legou uma obra plural – a crítica militante, as traduções, as duas óperas e, sobretudo, a poesia – um percurso de semeador, não se furtando a influenciar e patrocinar o talento alheio. Onde o reconhecia ou podá-lo, quando impostor. É essa trajetória que o poeta e crítico inglês Peter Ackroyd, biógrafo de T. S. Eliot , e autor de um romance biográfico sobre os últimos anos de Oscar Wilde , se incumbiu de registrar no breve volume ilustrado, organizado em 1981 para as Literary Lifes , Thames and Hudson, traduzido por Francisco Alves, e teve a primeira edição lançada pela Editora Jorge Zahar, em dezembro de 1991.             Pound perso...

Rimbaud galês

Em seu último livro, um tom elegíaco de celebração da vida combinado com a simplicidade das imagens poéticas             A produção inicial de Dylan Marlais Thomas (1914-1953), fonte para muitos dos poemas futuros, foi guardada em cadernos, dos quais o poeta já se servia antes para a imitação de clássicos (Shakespeare, Milton, Blake e Hopkins). Neles, está registrado o aprendizado poético e o progressivo desenvolvimento de um estilo próprio que, tão logo foi trazido a público em Dezoito Poemas (1934), seu livro de estreia, financiado pelo jornal londrino Sunday Referee , demarcou sua diferença em relação à poesia hegemônica nos anos 30, engajada e se servindo de uma linguagem direta e acessível (W. H. Auden, Cecil Day Lewis). Os versos que lhe valeram o prêmio da página de poesia editada por Victor Neuburg e o volume elogiado por Edith Sitwell estavam marcados por uma sintaxe elíptica e uma valo...

Com vocês: Sombras da Teia

José Caetano Silva*             “Sombras da Teia”, do amigo Rubens Shirassu Júnior, escritor prudentino, é um romance entremeado de um todo que envolve o mundo/submundo/real dos seres humanos suscetíveis de se imiscuir nos mesmos de forma inesperada ou consentida... O trabalho, pelo que se vislumbra na leitura, é fruto de pesquisa elaborada no cotidiano quase imperceptível da cidade de Presidente Prudente, encoberto pelo visual urbano de cidade limpa e bela, com povo ordeiro, pacífico, trabalhador, religioso, ético, honesto..A obra viaja pelos becos sem saída, escuros, por esquinas inquietas, desertas, por ruas desertas em madrugadas quentes ou frias, por galerias, redes de esgoto, cheiros, fedores, suores, sangue, lágrimas, cinzas, fumaças, cerveja barata, pontos de drogas, botecos de ponta de vila, trabalhadores insones, gente rica hipócrita, sanduíches de carne moída, coxas, cadeias, centros de r...

Cronista do bom humor

            Dizer que Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta foi um cronista popular, à primeira vista, constitui um contrassenso: mas, todo cronista é popular, pois este gênero literário nasceu e cresceu nas redações dos jornais. Dentro dessa generalidade, percebe-se certos matizes entre nossos escritores de jornal. Sérgio/Stanislaw, na maior parte de suas produções, não parece ter como imagem de leitor aquela pessoa que procura pressurosamente a coluna do dia, ou, melhor ainda, que chega a entrar numa livraria à procura de um livro de crônicas. Longe disso. Ele parece escrever para aquele leitor que compra o jornal, fundamentalmente, por causa do noticiário político, do futebol, das ofertas de emprego, das palavras cruzadas, etc. Enfim, aquele leitor que lê a crônica casualmente, muitas vezes de forma desatenta e apressada. E essa hipótese, de um cronista voltado sobretudo para o grande público consumidor de jornais, ...

Na loja virtual da Editora Penalux

Um álbum subdividido em pequenos quadros ou clipes  dispostos sobre a realidade do Brasil e a condição humana no século 21, que acarreta o desespero pela aceleração do cérebro e a loucura alucinatória SOMBRAS DA TEIA Rubens Shirassu Júnior Contos 268 Páginas R$ 40,00 Editora Penalux Guaratinguetá - São Paulo 2016 Clique e acesse a página 3 do item “Contos” da Editora Penalux: http://www.editorapenalux.com.br/loja/index.php?cPath=31&sort=2a&page=3

Universo particular e sagrado

Ela anseia por uma nova percepção do mundo a seu redor, a ser obtida não apenas pela razão mas também pelos sentidos “Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.” Cantares 4 vs12* “O Senhor tem o controle e toda a autoridade de cuidar do jardim.” Evangelho de Jesus Cristo, João, capítulo 15, versículos 1 ao 6                      Considerado refúgio sagrado, o jardim simboliza também o cosmos, a harmonia os quais, muitas vezes, comparado ao paraíso terrestre, em que a representação do jardineiro, no caso, a poeta Raquel Naveira, aquela que zela e realiza a construção do jardim, configura o ser criador desse pequeno universo. Destaco que os jardins são locais simbólicos presentes em diversas culturas, como a de Roma, a da Grécia, a do Egito, a da Pérsia, a da Arábia e do Oriente. Isto desde a antiguidade, sejam eles externos, ...