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Alma de pássaro VII







Mas é preciso, também, que seja como abrir
uma janela
e respirar, azul e luminosa, no ar.
É preciso o tempo presente para eu te sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa
da vida...
Que nunca te pareces com o teu retrato...
e eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!

O vento verga as árvores, o vento clamoroso
da aurora...
Você vem precedida pelos vôos altos,
pela marcha lenta das nuvens.
Minh´alma é trêmula pela revoada dos pássaros,
Eu escancaro amplamente as janelas.
Um azul do céu mais alto,
do vento a canção mais pura
me acordou, num sobressalto,
como a outra criatura...


Um azul do céu mais alto,
do vento a canção mais pura.
E agora... este sobressalto...
Esta nova criatura!

O céu está no beco,
o beco está no céu.
Foi só ela, a asa do vento, quem me dá!



(do livro “Cobra de Vidro”)

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