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A Procura de Uma Dignidade










Dois rapazes provincianos deslumbrados com cidades tipo São Paulo, não percebem a trama do desgosto debaixo do aparente verniz dos néons, das vitrines chamativas que empacotam a carência e buscam vencer na cidade grande, além de dar um sentido para as suas vidas. Esta narrativa se amplia numa alegoria nacional, que é também a alegoria da esperança possível. Mas ela revela toda uma interminável pergunta. A supervalorização da resposta deve ser catalogada entre as debilidades da condição humana. Corremos para ela, somos de tal modo arrastados pelo seu fascínio, que já não conseguimos vislumbrar a grandeza escondida na falta de resposta.
Deixemos que a pergunta cruze livre o espaço da narrativa, como uma espécie de imagem vazia, de símbolo ou de estigma – mudo resumo de uma indagação maior, curtida no encontro ou no desencontro, do ambicionado clã do interior do País, o êxodo rural na sua difícil luta pela sobrevivência contracena com a engrenagem urbana.
“Moenda de Silêncios”, de Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga, expõe os sonhos entrecortados pelas tentativas dos rapazes em vencer a batalha numa cidade toda feita contra eles. De um lado a terra serena da promissão, terra do perdão, do outro, o sufoco, o vale-tudo, a agressão da “cidade inconquistável” – os dois brasis.
O jogo alternado do tudo e do nada que seria a história da própria peripécia humana, se encarrega de intensificar o processo de textualização vertiginosamente, para adquirir o sentido incômodo de uma provocação em aberto. Os dois amigos são um substantivo coletivo. A perda, o vazio, o oco são instâncias metafóricas da interdição histórica. O não-ser dos rapazes do interior – o não-ser do Brasil? Podemos entender perfeitamente porque os personagens compartilham a obsessão na procura da dignidade.




MOENDA DE SILÊNCIOS
Encontros & Desencantos de Uma Metrópole
Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga
Literatura Brasileira
Romance Infanto-Juvenil
104 Páginas
Dobra Editorial
2012 – São Paulo
Apoio: Governo do Estado de São Paulo
Programa de Ação Cultural (ProAc 2011)
e Secretaria da Cultura



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