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Cidade sem rosto 2







Ao centenário de Presidente Prudente







A noite, aos poucos, fecha a sua mão de mortalha densa
ao redor, e tudo é poroso através dos portões clássicos,
da familiaridade de séculos de suas frestas, dos pilares,
a mescla das arquiteturas grega, europeia e suas janelas ovais.

 
No centro das praças circulares das catedrais
de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida
hei-nos menos contemplados e mais inquiridos
por policiais, moradores de rua, aposentados,
transeuntes curiosos e pederastas.
Posturas ausentes de sentido
nossa condição social não seduz.
A pergunta geral,
o excessivo mercado consumidor contracenando
com um esqueleto
que lamenta a alta da carne.
Querem desfrutar de nós
uma existência não basta para tanto:
Irradiamos a falta de perspectiva,
assim o futuro é branco.
No centro de uma arena?
Das Câmaras Municipal e Federal, e do Senado?
Que valem mais ou menos,
no deserto nos vemos
imantados pelo aço do silêncio,
do medo em nós cravado.
O mesmo pânico amarelo dos retratos
que engasga os vermes que roem as páginas
das vidas passadas que brotam daqueles postais empoeirados.













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