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Cidade sem rosto 3


Ilustração de Rubens Shirassu Júnior






Ao centenário de Presidente Prudente




 


Como uma criatura que cava

perfurando a terra, o seu chão,

sem achar escape.

No rosto, essa mesma expressão dispersa ou grave,

esse indeciso traço de sol-posto

de fuga que há no bico de uma ave.

O mais é jeito desumano.

O que procurou em alguns momentos

não cabe no infinito, e é fuga e vento

no peito transtornado e ferido.

O que és, o que sobra, esmigalhado

vive de fome, não morre todo, e fica no ar,

parado.

O coração pulverizado range,

mas deixa uma angústia espiralante.






De frente ao caixa para depositar

lágrimas de noturno orvalho,

de mágoa desiludida.

A casa da família assassinada em 30 anos de prestações,

o asfalto, as áreas de lazer, pílulas coloridas de calmantes,

encobrem o desemprego, a miséria, entre outras necessidades.

Chuva torrencial do coração

composta na treva de hoje

que tão só destila desejo

de que o dia amanhecerá!

Nalgum lugar faz-se esse homem

contra as astúcias dos bancos

e a amargurada política

no sublime arrolamento dos contrários

enlaçados por fim.











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