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Lamentações do tártaro III



Êxodo de Lasar Segall









Aroma de ar quente, de chuva ácida com terra
e de couro curtido.
Corado clarão de sol deixando perceber
a impaciência do estômago vazio.
A terra infértil arrancara milhares
de almas infecundas do subsolo infeliz,
vêm de dentro as formas decrépitas
do povo caminhando no chão estragado.


O ar morto fede odor de couro curtido
e o ardente calor da terra racha-me
os pés como se fossem incisões de bisturi
e assim pensando ante à rotina
que me oprime
julgo ver este espírito infeliz,
que em mim se encarna
se aflige, se afobe
como quem raspa a sarna,
chama-o de girassol de asas crepitantes.


O motor quente do centro da Terra
para, e transforma em cemitério
de matéria dissolvida.
Eis o horrendo cataclisma
da química feroz,
onde produz remoinho
que puxa para o abismo.


Quando a estiagem segue
sinto uma desproteção total, violenta
e eu mesmo sendo dissolvido
pelo calor externo ao corpo
dando as minhas baforadas a esmo
como rolos de brasa
compondo fisionomias sem nome nas pedras.
O espaço antes nubloso
e a pele cheia de fogo da terra.
Os elementos estão separados e também as cores
nos próprios olhos desmesurados.
Inoculados pelos gestos aflitos
e ritos solitários,
os dentes mordem uns nos outros rangendo,
nesta paisagem singular.
Os erros tornam-se evidentes,
os choques inevitáveis,
resultando em fatias feitas
de silenciosa e franzina carnadura.







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