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A pintura das metamorfoses

  O artista que aqui surge, um homem complexo, inquieto, pelo qual sou atraído às suas pinturas. Em sua nova produção intitulada “Ponto de Mutação”, Nivaldo Gonçalves nos apresenta a sua intensa relação com a arte oriental e sua admiração pelos pintores abstracionistas: Manabu Mabe, Kinya Ikoma e Tomie Ohtake. Sua pintura se assemelha aos Kanjis japoneses, surgindo de forma espetacular ao deslizar a espátula sobre a tela. Suas obras se destacam no atual cenário das artes visuais prudentinas pela sua originalidade, ousadia e inovação. O título da exposição traz também reflexões muito interessantes: a crítica ao modelo acadêmico e tradicional de fato como base para grandes avanços no século passado, nos grandes centros, porém o resultado que hoje observamos no universo local e regional, nos mostra um cenário de pobreza cultural, alienação e desunião entre os próprios artistas. Daí, a necessidade de gestão e políticas públicas voltadas para o setor, como a criação de galerias de arte,
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Compulsões fatais

    Dentre as formas prazerosas contemporâneas se destaca o prazer de comer, como uma das maneiras de driblar ou escapar do mal-estar na cultura Além de estar associada à qualidade de vida, condição de saúde e beleza, a alimentação tem despertado o interesse acadêmico, resultando em número crescente de publicações sobre os hábitos alimentares e os rituais a eles relacionados. Presentes nos momentos mais marcantes da vida em sociedade, estes hábitos e rituais permitem compreender melhor padrões de culturas e mentalidades como instrumentos de comunicação, metáforas de afeto, necessidades de pertencer, expressão de identidade. Na última década do século 20, a comida abriu portas para novos desejos, profissões, objetos de consumo, formas de relacionamentos, cerimônias de agregação, obras literárias e cinematográficas. Tornou-se cada vez mais evidente que, sob o domínio da linguagem, o comportamento de se alimentar extrapola o âmbito da necessidade e da nutrição. Tal comportamento me pa

Novos Herodes da tecnocracia

    O romance “O fruto de vosso ventre”, de Herberto Sales, trata de uma sociedade hipotética e futura, em que os problemas de superpopulação exigem que o governo intervenha na área da concepção, atingindo o extremo da sua total proibição. Por meios anticonceptivos rigorosos, e através do aborto compulsório em caso de falha, estabelece-se uma sociedade em que não existem mais crianças, nem tampouco a necessidade delas. O caminho para a realização dessa brutal utopia, no entanto, é a mais sórdida burocracia, baseada em leis, normas, regras, enfim, toda sorte de expedientes controladores dos mínimos atos do indivíduo. No caso, a classificação do estado civil das mulheres por pulseiras coloridas: a amante, a verde, a casada, a azul, e a solteira, a amarela. Mas essa burocracia terrificante não é gratuita: está intimamente ligada à estrutura econômica dessa sociedade, onde a produção passa a ser o objetivo supremo e o homem mero apêndice dela. São óbvias as relações entre essa socied

Informação ilhada

    O jornalismo impresso, tanto as publicações diárias e mensais, tem sido vítimas, nos últimos anos, de bombardeios ameaçadores. Desde as medidas restritivas em razão do Covid-19, as redações passaram por diversos processos de enxugamento de seu efetivo e de “reengenharia” em sua organização. Nesta década, a proliferação de sites noticiosos, inclusive nas próprias empresas de comunicação tradicionais, no mínimo congelou as equipes “off libe”. Combinada com o aperto e a consequente sobrecarga, cresceu a oferta de informações via internet, multiplicando-se, ao mesmo tempo, o trabalho de departamentos de comunicação das instituições ou empresas de maneira geral. Assim, criou-se uma padronização das notícias. A autonomia e o poder de influência dos jornalistas é posto em dúvida. Esses fenômenos constituem um quadro propício a um ineficiente “jornalismo de gabinete”. Ou seja: cada vez menos repórteres saem para a rua afim de apurar fatos. Em substituição ao contato real com os a

Mil(es)ton(e)s blue

  No momento de medo e de incerteza a dor calada nas faces esquálidas pelas barrigas secas. Os seres fitam o poço sem fundo do calabouço de suas próprias misérias dispersas nas selfies das ruas. Essa população desidratada vaga com compulsiva fome pelas toneladas de socos nos corações ilhados. Fome de comida, uma lânguida imagem que retrata seus espinhos e melancolia. Essa música urbana triste se empresta à meditação. A dor na base do caule desse blue flor de concreto. Esse sofrimento e desejo azul, são tentativas de descrever em seus níveis mais profundos, do blue e sua atração que vara reto absorvendo oblíquo o desespero, a distância social e a perda de intimidade, entre tons.  

Operação silêncio

    Em 1968, Caetano Veloso cantava, devidamente vaiado pelos estudantes de esquerda, “É Proibido Proibir” (e outras palavras de ordem do Maio francês), rompendo com o tom grave e a falta de flexibilidade da prática política vigente. Soprava um vento libertário, um desejo de “responsabilidade existencial” contra um sistema de vida fechado e controlado por elites. Dois anos depois, abria-se um fosso definitivo entre os que, de uma maneira ou de outra, se beneficiavam das vantagens do “milagre econômico” e aqueles que, desarticulados, viam seus projetos ruírem ou nem sequer eram capazes de construí-los. Era o Brasil Grande, um “país que vai pra frente”, diante do qual restavam duas opções radicais: amá-lo ou deixá-lo. Num quadro de terror e crise a década de 70, progressivamente, vai se definindo como os anos do medo, da insegurança, da saúde, da competência e da qualidade técnica. Dentro do clima sufocado pela opressão, vários jornalistas e fotógrafos, em reuniões diárias, pedem aos

Haicai

  Sem aviso, choveu, sumiu, desenho a giz, no quadro do tempo.   Without warning, it rained, disappeared, chalk drawning, within the framework of time.   Instagram: rsjr.10   #poetabrasileiro # Haicai #Brazilianpoet #littlejapanesepoem # PresidentePrudente #SãoPaulo # Brazil