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Grafite das instituições falidas

Os personagens do livro Sombras da Teia , estruturados como seres reais, com ambições, alegrias, tristezas, sonhos de grandeza e mesquinhez de qualquer cidadão deste Brasil, estão ligados a uma sociedade e a um tempo cruel e frio que determina e altera suas condutas. O contista também elucida alguns detalhes e põe à mostra certas atrocidades que não podem ser esquecidas. Algumas passagens trazem à baila questões sobre a falta de oportunidades, de perspectivas e o destino dos seres humanos em um mundo hostil, incerto, confuso e, em determinados momentos, acéfalo e burro. Em Sombras da Teia , Rubens Shirassu Júnior faz um quadro definido, um grafite pintado em branco e preto dos personagens estigmatizados e isolados pela sociedade e que vivem à deriva nos subterrâneos da noite ofuscada pela geometria dos espigões, pelo brilho ilusório e camuflado das luminárias e dos luminosos de néon. Link de acesso ao item "Livraria" do site da Edi...

Zona morta

Ignorar ou esquecer o conteúdo dessa memória constituída por tradição equivale a uma regressão ao estado natural Em tudo o que pretende ser arte há uma grande desproporcionalidade entre o que é bom e o que é ruim. Talento, o determinante dessa diferença, essencialmente implica e se insere num plano de reconhecimento de cultura, um processo seletivo ligado à qualidade. Não que qualidade seja um dos componentes do processo que define quem faz sucesso ou não. Para mim: sucesso, no boom artístico do Brasil, significa manter um bom jogo de interesses e não apenas confirmar a exceção à regra: muito material sem conteúdo e pouca coisa aproveitável. "O contexto Brasil/ malícia/ dor-de-corno/ e vale-tudo é o que está impregnado nas ruas, e nós, que temos um trabalho com uma certa qualidade, somos diretamente afetados pela mediocridade generalizada, o way of life imposto pelos marketeiros de plantão. Pela aversão ao novo, pelo medo do ...

Excluídos e hipócritas

Os contos de Sombras da Teia giram em torno dos excluídos da sociedade, a exemplo dos drogados, doentes mentais, anões, travestis, velhos abandonados em asilos, obesos mórbidos, deficientes visuais e físicos. Incluindo também a hipocrisia de fanáticos religiosos, um sargento gay enrustido, imagens do álbum que retrata a falência de todas as instituições, além da mudança de hábitos e costumes no interior do Brasil! Link de acesso ao item "Livraria" do site da Editora Penalux: https://www.editorapenalux.com.br/loja/index.php?cPath=31&sort=2a&page=3&osCsid=854f6bb92e77cece388b3f1346569621

Funções do mito

MITO E REALIDADE Mircea Eliade Coleção Debates Volume 52 182 Páginas 3ª Edição Editora Perspectiva 1991 O livro Mito e Realidade , de Mircea Eliade (1907-1986), professor, cientista de religiões, mitólogo, filósofo e romancista romeno, tem o propósito de esclarecer, em sentido mais amplo, o que é e qual a importância do mito nas sociedades. Ao tentar definir mito sua intenção desarma o preconceito do leitor, a fim de passar com clareza a necessidade da existência de mitos em todas e qualquer cultura. Seu discurso atinge leitores de diferentes sociedades, mas não de diferentes classes sociais, o que exige um mínimo de conhecimento de sociologia para entender a real intenção do filósofo. Embora esclareça que o objeto de seu estudo sejam as sociedades primitivas, o texto acaba afastando a real ideia de mito, pois os mitos ali tratados são, sobretudo, de sociedades mais distantes. É interessante que o indivíduo pens...