Boca fendida de romã, bagos de vida, esse mistério de água torrencial, fluindo do terminal das coxas, e a vulva possuindo violáceo cacho de uvas. Vinha por essas serras, essas encostas, pisando em toda a praia – o sangue inquieto, um vinho atocaiado por pensamentos leves, como espumas, e os cabelos soltos como nuvens, simples, voraz sem recatos. Ainda assim, alegria, te festejo, liberto da moldura de todos os retratos. Mesmo que o amor seja selvagem, Mesmo que seja arredio, é o que chamas de posse, egoísta e material, a obsessão que te mostra anjo nu expondo a gruta de mata escura urdideira de rio, serpente de prata, sedenta de maior apetite, desespero das pernas vibrar de asas desejando alçar voo, bebe mel no vento, desejo, mas não se rende ao sossego. Um azul onde começa quando em ti levanta esta revoada de pássaros que mordem as entranhas deste fruto que se abre e come por inteiro. Desabar chuva é não medir forças...