No livro “Nietzsche Hoje” , de Viviane Mosé, o pensador alemão argumenta sobre uma cultura que lida com o sofrimento, a exemplo do período trágico da cultura grega, quando o objetivo era fortalecer o humano por meio da arte, das festas, de modo a torná-lo capaz de lidar com o sofrimento inevitável da vida – o alvo do processo civilizatório tem sido a buscar por afastar os humanos das frustrações, das perdas, resultando em um ser fraco vivendo em um mundo fundado em crenças, um mundo de ilusões. O sofrimento mais intenso, próprio da vida, da formação dos corpos, não há como negá-lo, aponta Nietzsche. Então, nos especializamos em técnicas de não ver, não sentir, nem vivendo e nem sofrendo. Estas técnicas vão da ilusão religiosa de um paraíso celeste às ilusões modernas de progresso científico, passando pelas infinitas ofertas do mercado. O que move a máquina civilizatória seria, cada vez mais, a promessa de felicidade, uma ideia, um mito, que nos tem custado muito caro. O que ...