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Cabo-de-Guerra

              Em meio aos dois rios, os tons azuis mesclam a eternidade, entre a leve epifania ao apego da matéria e suas densidades terrenas, tanto do céu como do mar, disputam no cabo-de-guerra.     

Em Volta do Umbigo

            Para Georges Bataille e a Grande Mãe         Seja titã, como elemento em fúria. Esparrame o Eros clandestino na bolha de vidro do seu colo materno, o leite coalhado da herança uterina de sonhos retalhados em substâncias incertas, turvas de liberdade, e o sentido intenso de horror da Esfinge que finge ter a resposta. Em volta do umbigo, Édipo prisioneiro cego, entre gritos, ecos e raízes dos limites da carne camuflados pelas nuvens da distração nunca desfeitas.   

Sinais de Netuno

          À todas crianças       Flutuo fluido num éter imaginado pode ser azul, verde sem saber certo. Ah, diluir-me sobre o ventre da Mãe-Terra - ser a alta onda sonora que espera pela primeira estrela no prelúdio da noite, refletindo no espelho.     Quero apenas o silêncio perene ao meu desligamento, o vento derramando a liberdade tranquila, além de mim – e entre mim e os sinais de Netuno, transcendo, sem medo, maresia em meus cabelos esvoaçantes, tenho todos os sonhos e idades.     

O Mesmo Discurso dos Mandarins

    Mandarim da Marvel Comics                         O problema da descrença não é só em Presidente Prudente, mas em todo o País. O município, infelizmente, pode pouco na organização política, porque ele também é uma expressão do lobby dominante. Pode um pouco mais na organização das metas na medida que estas se interligam com outras categorias da produção industrial, como a ciência, a educação e a tecnologia.             Mas, no momento em que cada segmento da sociedade sente-se desvalorizado, agredido e manipulado, como um pequeno parafuso que serve a uma máquina devastadora, é preciso redobrar a nossa percepção ou avaliação sobre a tentativa de certos candidatos, seja a Prefeito ou para vereador, de fixar uma hegemonia de conceitos ou de ideologias populistas. É preciso estar atento e realista às pro...

A Carne Transposta para o Verbo e Verso

                     Seguindo o conselho de Drummond, mais do que na emoção, Whisner Fraga procura a poesia na carne das próprias palavras da Bíblia e, dentro delas, nas letras que a compõem antes do verbo, compondo estes versos da celebração de um período de sua vida. O Livro da Carne : livro das palavras nuas, letras franciscanamente despojadas que se agrupam em palavras medidas, sonoras, capazes de retomar jogos e brincadeiras, de reinventar a infância mineira dividida em três fases: a inocência, a descoberta e o desgosto, com o despertar da consciência e do encontro. A matéria torna-se fortemente expressiva e marcante na sua vida, enquanto a composição revela um mundo sitiado, regrado por leis repressivas e povoado pelos dogmas, o fundamentalismo, o ecumenismo e o maniqueísmo religioso pelas imagens surrealistas, vingativas e fatalistas, além das costumeiras contradições encontradas em doutri...

A Procura de Uma Dignidade

 Dois rapazes provincianos deslumbrados com cidades tipo São Paulo, não percebem a trama do desgosto debaixo do aparente verniz dos néons, das vitrines chamativas que empacotam a carência e buscam vencer na cidade grande, além de dar um sentido para as suas vidas. Esta narrativa se amplia numa alegoria nacional, que é também a alegoria da esperança possível. Mas ela revela toda uma interminável pergunta. A supervalorização da resposta deve ser catalogada entre as debilidades da condição humana. Corremos para ela, somos de tal modo arrastados pelo seu fascínio, que já não conseguimos vislumbrar a grandeza escondida na falta de resposta. Deixemos que a pergunta cruze livre o espaço da narrativa, como uma espécie de imagem vazia, de símbolo ou de estigma – mudo resumo de uma indagação maior, curtida no encontro ou no desencontro, do ambicionado clã do interior do País, o êxodo rural na sua difícil luta pela sobrevivência contracena com a engrenagem urbana. “Moenda...

Contador de Histórias

            Montezuma Cruz Editor de Amazônias                A descoberta do talento de Geraldo Machado é assim, do jeito que a jornalista Mariana Cegatto descreve no Jornal da Cidade , em Bauru. O autor de “Celeiro da memória” autografa agora o “segundo e último” livro: “Na garupa da memória”, igualmente constituído por saborosas crônicas, mostram um pedaço do interior paulista.          O bom humor sempre presente nos seus bilhetes, cartas e nas conversas pessoais está entre as virtudes que vejo no amigo Geraldo Negrão Machado, que se revelou octogenário para a literatura. Faz trocadilhos com fatos históricos e frases, brinca com as pessoas, e ironiza a si próprio desde quando se tornou ”sitiante e prosador” de Chavantes e arredores.            Lê-lo faz bem não a...