Um convicto jardineiro de poemas. Entrega-se aos acasos para poder vislumbrar detalhes ou cenas quaisquer, donde se depreendesse o sinal possível, espiralado, que permite o estirar de uma frase natural. O poeta sempre atento na ponta dos olhos, aceita a emendar palavra com palavra em meio à limpeza das mesas poéticas; não quer a poesia remediada, de tato virtual, nem a fria plumagem da língua. Prefere o exercício diário na sua residência ou nas ruas e avenidas. Colhe as coisas nas estrelas e tenta tocar suas mãos ansiosas no girassol em chamas, o sol, revira a natureza, os olhos sob as fases da lua. Quanto mais se distancia do cotidiano corriqueiro e letárgico, sorve melhor a atenção dos encontros. Gosta de viajar para longe, bem longe, até que o cansaço o faz surpreender-se com a imagem solitária de um tronco de árvore ou com os rabiscos de um muro que circunda um terreno baldio lotado de entulhos. Joilson Portocalvo, o arqueiro poeta em Quintal do meu coração , de olhos a...
Dentre as formas prazerosas contemporâneas se destaca o prazer de deleitar no beber e no comer, como uma das maneiras de driblar ou escapar do mal-estar na cultura. Além de estar associada à qualidade de vida, condição de saúde e beleza, a alimentação tem despertado o interesse acadêmico, resultando em número crescente de publicações sobre os hábitos alimentares e os rituais a eles relacionados. Presentes nos momentos mais marcantes da vida em sociedade, estes hábitos e rituais permitem compreender melhor padrões de culturas e mentalidades como instrumentos de comunicação, metáforas de afeto, necessidades de pertencer e expressão de identidade. Na última década do século 20, a comida e a bebida abriram portas para novos desejos, profissões, objetos de consumo, formas de relacionamentos, cerimônias de agregação, obras literárias e cinematográficas. Tornou-se cada vez mais evidente que, sob o domínio da linguagem, o comportamento de se saborear extrapola o âmbito da necessidade e...