Ele profetiza que estamos sob a era de aquário, num ano bissexto, quando se comemora o aniversário de um personagem enigmático, mais parece um guru da Índia, moreno jambo com um bigode ralo de chef francês. Um sujeito meio esquisito, que gosta de turbinar rural Willys e Caravan. Fã de carteirinha dos filmes de extraterrestres e depoimentos de quem passou as fronteiras do além, por sua semelhante cabeça achatada e suas orelhas grandes de abano ou “ventana” (janelas abertas) como diz o seu colega de serviço chamado Argentino. Cizênio, nome que lembra as aulas de química, tem um sonho na vida: um telescópio na mão para observar as constelações do 24º andar de um megaedifício, no centro das duas principais avenidas de Brasília, no Distrito Federal. Bem próximo de sua associação protetora dos seres abduzidos, que ficará no térreo do edifício. Pelo que declara nosso personagem místico e esotérico: “- A altitude da área entre Brasília e Goiás proporciona um fluido energético leve, b...
Noite entre arestas das grades mas viva espremida noite vida entre barras ferros, mágoas, mas viva Noite do medo escorregando a coluna vertebral e sangrando como um nó cortado de carne mas viva. Noite de meta-fora da jaula precisa é corpo de lembranças a noite aninhada gaiola da noite de linhas retas, das entrelinhas noite que absorve noite flechafechada A gaiola é pesada ao cair na noite grande. A gaiola da noite no espelho e sua aventura espessa a noite na gaiola sobre as pálpebras, acesa. A gaiola da noite devoradora da forma. Inteira noite gaiola para sempre e para sempre estilhaçada. Noite em giro círculo fechado e mais que fechado, fechado, até os extremos da parede se tocarem para celebrar e lembrar, ecos dos gritos parados no ar. Noite na gaiola marcada a ferro, lado esquerdo das coisas. Noite com a medida e peso, Simétrica noite vinculada forjada nos ...