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Lamentações do tártaro II














Sou o nada que procura a abundante seara
que o sol, o calor e a estiagem
plantaram a sede, a fome, a dor,
as doenças da desilusão.
Nobres são os dias chuvosos
que me contornam na estação,
miragem da vontade maior,
em contraste ao desencanto
pelo fruto que não brotou
do ventre da mãe-terra,
cujas olheiras são vastas, fundas e tristes.
A água e a pouca perspectiva
são as algemas de nossa raiz
embora a vinda do Messias, deitamos às sombras,
cada qual em seu núcleo de orgulho e angústia,
não se esquece com tamanha candura,
a insuficiência dos apelos, o ouvir das promessas,
um feixe de dias melhores obscurecido e sufocado
pela apneia, o grunhido do estômago vazio.
E a forte fé cega tornou-se esquálida e frágil
para boiar em alucinada perturbação.


Senti o coração estalar
pelo pesado poço profundo
plasmando o orgulho na retina do chão
quando endurece em degredo.
E o escoadouro não se isolou de mim.
Quando virá o dia em que o sol
trocará a correnteza de chamas
por outra loucura.
E ouvir à noite a morte chorar
na ventania seca, sem sangue fundindo
as gravações nas pedras.
Sei que o corpo, o tempo
esmerilado e a vertigem
cumprem a missão
rebentando os nervos de dor.


Mesmo volvendo os seixos,
revelam-se as veredas
do lastro e da ruína,
que nascem do tempo igual
de passante de tempo hábil
que logo ocupará atemporal
com a praga fervente do deserto.








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